"(...)Meias verdades
E muita insensatez."

(Flora Figueiredo)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

"Caia na estrada e perigas ver..."

"As dúvidas e falas tranquilas na palma da minha mão(...)
As dúvidas embalam tranquilas na palma da minha mão"
(Eu de adjetivos, Novos Baianos.)
E a gente vai fugindo. Tendo medo antes mesmo do perigo começar. Ah, mas que ninguém venha dizer que é pura falta de coragem. É também receio de não saber até onde ir, ou de que, mesmo sabendo, não conseguir parar, não querer parar. Meu desespero é calado, contido. Abaixo o olhar para que você não me desvende. Até que você estende a sua mão e pensa tocar a minha alma; diz que na sua boca só passa o que você pode provar. Mas não se importe em querer saber a verdade, meu bem. A verdade foi só uma coisa que inventaram de procurar para a gente ter que se perder a todo o momento.

sábado, 3 de setembro de 2011

Eu me lembro, em setembro...

Com novas pétalas, esperei setembro para desabrochar e sentir o novo perfume que carrego. - Benzinho, rega-me com cuidado pra que eu não fique seca novamente. Não me deixes queimar com o sol que faz lá fora, mas também me daí luz. Setembro esta irradiando luz, essa exposição não faz mal, não mata. E se for pra morrer de amores mais uma vez, saberei trans-nascer. Eu, que ainda não aprendi a alçar voo, continuo com pequenos adejos. Queira ver a primavera comigo. Porque o inverno, meu amor, partiu com o trem da última estação. Por ora, somente aquilo que não for pesado demais para carregar.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A-gosto

Agosto tinha chegado e eu não via outros sinais. Não vejo nenhum sinal. O mês dos des-gostos começara indefinido. Em agosto, as fantasias não costumam acontecer. Mas ele, que tem a fama de afugentar a esperança, trouxe-me um amor. Daqueles amores que a gente não pode pedir, nem precisa provar coisa alguma. O amor de agosto só precisa ser. Não tenha medo, minha flor, não finda. O amor de agosto está na espera da primavera, o tempo frio que precede o cheiro das flores. Em agosto acontece a transição, -desabrocha, é tempo de tornar-se.

domingo, 10 de julho de 2011

E-ter-na-mente, eternamente.

Secreta, escondida e silenciosa; não quero criar mais uma ventania e afastar de vez esse momento de quase paz que estou vivendo. Pior do que a quase-paz é não haver paz. Então, continuo com meus espectros a te perseguir. sem que você me note, sem que você me veja. Mas veja bem: eu mais que vejo você, eu sinto você. Mesmo quando sentir não basta. Nem todos sabem como é não ter esperanças e ainda assim continua a insistir sem fé alguma. Sem saber o que dói mais, se é a falta ou a presença.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O caminho

Talvez, quisera ficar. Porque ficar era concreto, tangível. E da mesma forma na qual uma parte ficou, a outra foi... Mas tão longa era a caminhada, que os pés se encheram de bolhas. Doía. De certa forma, suportar a dor era uma obrigação. Então, as bolhas cederam lugar para calos, que cresciam e cresciam. E parecia nunca chegar. Em certo momento, era necessário desacelerar. Será que era inalcançável essa vontade de conhecer o desconhecido ? Foi então que eu lembrei: Saber tudo aquilo (sem dor), era pra quem não tinha nada à esconder... E eu tinha!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

"Sobram tantos medos que nem me protejo mais"
(O Teatro Mágico.)

domingo, 3 de julho de 2011

Nas madrugadas de inverno

Sinto o cheiro da chuva e me sinto doída, porque ela me inunda. Tomo meu banho e tento tirar esse ar de nojo que está impregnado em mim e que não sai, água que não sai com nenhuma água. Acordo. Não durmo. Ando perdendo noites e ganhando palavras ao decorrer delas. Não quero dormir, porque adormecer me faz perder a lucidez. Mesmo que no sonho é onde eu me encontre mais lúcida. É no sonho que eu me reconheço inteira. E só nele eu posso me perder. Nesse quarto, com a chuva lá fora, eu nunca me acho. Paro de frente a janela e fico olhando como a chuva cai. Tento me molhar, não consigo. Eu sou a chuva que esta fria mas continua a cair. Eu sou a chuva que não para, não passa e não sabe o que é. Eu não sei ser, e não sabendo, sou. Custa aceitar, sem resignações, o fato de que eu nunca serei inteira fora de mim. Minha metade anda perdida pelo mundo e eu não consigo achá-la, nem sei se quero. Já não resisto às farpas soltas por metade do que sou, imagine a um ser inteiro, concreto. Tomei muito café e não me sinto lúcida, apesar de estar acordada. Eu ainda não despertei da mansidão que é a madrugada. Porque é na madrugada que eu me escondo. É nessa escuridão que me encaixo e pareço querer ficar ali para sempre. A claridade cega os olhos e eu não sou transparente. Muito pelo contrario, sou uma nuvem densa pronta para chover (abram seus guarda-chuvas).Não sou tempestade, mas brisa leve não posso ser.

terça-feira, 28 de junho de 2011

"(...)tudo bem, bem pequenina me coloco na sua sina e você pega, rasga e maltrata, fui eu quem inventei o labirinto. Fatal e tu me desvendaste: decifra-me é: ... toda tão sua!" (Quando ser quer...tem, Felisdônia Passarinho, pedraemflor.blogspot.com)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Aos corações perdidos/partidos

Preciso de um coração. Não, ele não precisa ser novinho, não! Só precisa caber em mim, ser bem quentinho e confortável. Eu não me importo de ele já estar um pouco gasto ou muito gasto, farei dele novo. Mesmo cheio de rasgões, assim, como o meu... Eu irei costurar até o ultimo fio com muita delicadeza, para que fique bem bonito e possa ser meu também. E ele nem precisa me amar logo de inicio, só precisa estar aberto.

terça-feira, 14 de junho de 2011

De volta

E volto ao passado para buscar o que eu era. Não consigo me trazer de volta. Sinto falta de tudo aquilo que eu não consigo mais ser. Então, o que eu sou agora?