"(...)Meias verdades
E muita insensatez."

(Flora Figueiredo)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

"Um dia veremos, um dia aprenderemos. Há sempre coisas novas. Sempre ligadas à antiga existência." (Frida Kahlo) Quando antes, sentia que ver doía cada vez mais. Deixo-te voar, meu amor. Na esperança de que você não tarde a voltar. Voa e trás de volta o que ainda sobrou de mim. E quando tiveres prestes a ir, escorre-me pelas mãos e pelo ventre, desagua a sua loucura no meu colo e repousa sobre meus pedaços espalhados pelo chão. Volta, me pega da sujeira e diz que está tudo perfeito, que está tudo bem. Não preciso de olhos enquanto tiver a sua presença. Os olhos de dentro, meu querido, estes, não se fecham nunca. E quando a gente dorme, eles quase saltam para além do desconhecido.
À você, Frida, que não deixou escapar até as levezas das dores.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Fingia que não esperava nada além de um olhar de canto, um toque no ombro. Qualquer coisa além daquela dúvida que crescia até antes de não ser percebida, de não tornar-se percebida. Uma hora viria a redenção.
E para que não chorasse, pensava em coisas como: calma, menina. Calma que vai passar. Essa onda de maus fluidos está indo embora, um hora tudo se ajeita. E se não se ajeitar... O que não tem remédio, remediado está.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Sob(re) a estação

A vontade dá e ultra-passa. Abandono os sentidos. O relógio toca esperando que eu tenha entendido que o tempo já passou, meu amor. Estamos sozinhos nessa estação, esperando um ónibus que nunca chega. Estou do outro lado da estação e você não me vê. Você, que só consegue enxergar o que é efémero. Mas começo a não cultivar esse envolvimento porque sei que você não está disposto a aceitar tudo o que eu tenho a oferecer. O que eu tenho é demais para apenas uma viagem sem volta, e suas passagens sempre estão marcadas. Não quero me perder na estação, meu bem. Então, prefiro não terminar a viagem. Pego um táxi na volta, pago mais caro por desistir dessa aventura mais cedo do que o imaginado. Entenda: com o tempo você iria esquecer de me regar. A longo prazo, love, você só me traz problemas. Saio de um abismo, para encarar outro. Por enquanto, fico à margem. Me aceito, te aceito.

domingo, 20 de novembro de 2011

E tinha vergonha da minha nudez diante da sua, porque a minha nudez era, antes de tudo, de sentimento.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A gente vai levando...

"(...)Mesmo com o nada feito, com a sala escura
Com um nó no peito, com a cara dura
Não tem mais jeito, a gente não tem cura
Mesmo com o todavia, com todo dia
Com todo ia, todo não ia
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando..."
(Vai levando, Chico Buarque)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"Adoramos a ambiguidade do aceno, que pode ser um oi e um tchau."
(Fabricio Carpinejar)

sábado, 29 de outubro de 2011

Lembro de você como memória viva, que logo se mistura com outras memórias e forma um emaranhado de momentos. Continuo sem querer entender o porquê desses afastamentos, se por dentro estavamos sempre tão presentes. Sem dores e sem cicatrizes, houve uma partida?
Não lembro o momento exato em que dissemos a-deus. Ainda não era tarde.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Sem pés, nem tripés

"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar. Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia - a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la -, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Até agora achar-me era já ter uma idéia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava, e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver. A idéia que eu fazia de pessoa vinha de minha terceira perna, daquela que me plantava no chão. Mas e agora? estarei mais livre? [...]Perder- se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando. As duas pernas que andam, sem mais a terceira que prende. E eu quero ser presa. Não sei o que fazer da aterradora liberdade que pode me destruir. Mas enquanto eu estava presa, estava contente? Ou havia, e havia, aquela coisa sonsa e inquieta em minha feliz rotina de prisioneira? Ou havia, e havia, aquela coisa latejando, a que eu estava tão habituada que pensava que latejar era ser uma pessoa. É? Também , também. (...)Sei que precisarei tomar cuidado para não usar superficialmente uma nova terceira perna que em mim renasce fácil como capim, e a essa perna protetora chamar de uma verdade Mas é que também não sei que forma dar ao que me aconteceu. E sem dar uma forma, nada me existe. E - e se a realidade é mesmo que nada existiu?! Quem sabe nada me aconteceu? Só posso compreender o que me acontece mas só acontece o que eu compreendo - que sei do resto?
O resto não existiu."
(A paixão segundo G.H., Clarice L.)

domingo, 23 de outubro de 2011

"Faça como eu que vou como estou,
porque só o que pode acontecer...
É os pingo da chuva me molhar."
(Os pingos da chuva, Novos Baianos.)

sábado, 15 de outubro de 2011

Depois do tempo, mais tempo.

É claro que se há de continuar.
Agora, continuar é a única sensatez possível.

sábado, 8 de outubro de 2011

"Porque o coração, meu filho,
o coração tem sempre outro pensamento."
(O último voo do flamingo, Mia Couto)
Então, comecei a cuidar de tudo que não foi;
De tudo que continuou aqui,
De tudo que não pôde ser.
Não quis morrer na contra-mão.

domingo, 25 de setembro de 2011

Emergência: Não vide bula.

Você me vê na prateleira, não é nem caso de amor a primeira vista, mas o moço do balcão diz que "é de qualidade", ai então... Tudo certo!
Leva pra casa, pega aquele seu isqueiro comprado no ultimo 'Rock in Rio', em que você ficou tão embriagado que ainda não entende como achou o caminho de volta; me acende.
Vem chegando com essa sua boca, que perto da minha toma todos os espaços, e insinua me tragar. Mas para o meu espanto, não espera, e antes de eu me tornar bituca, miúda; deixa-me de lado, sem ao menos apagar. Pensa que eu não sou assim, do tipo que faz mal a saúde.
Começo a invadir a sua sala de estar, você não entende de onde vem tanta fumaça. Mas eu tinha dito que perigo, quem corria, era você com essa sua ingenuidade disfarçada de mais idade.
Não se deixa fogo aceso no canto, meu bem. Nunca se sabe de onde pode começar um incêndio.

sábado, 17 de setembro de 2011

Des-tinos

"Pelos descaminhos, meu rumo se perdia,
eu tornava a buscar,
recomeçava e novamente errava, e novamente insistia."
(Caio F.)
De tempos em tempos, tentam fazer com que eu perca toda a esperança depositada no amor e em seus derivados. Mas continuo aqui, no centro da tempestade.
E se eu for levada por mais um descaminho, que não me falte coragem para voltar mais uma vez, caso a previsão do tempo tenha falhado.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

"Caia na estrada e perigas ver..."

"As dúvidas e falas tranquilas na palma da minha mão(...)
As dúvidas embalam tranquilas na palma da minha mão"
(Eu de adjetivos, Novos Baianos.)
E a gente vai fugindo. Tendo medo antes mesmo do perigo começar. Ah, mas que ninguém venha dizer que é pura falta de coragem. É também receio de não saber até onde ir, ou de que, mesmo sabendo, não conseguir parar, não querer parar. Meu desespero é calado, contido. Abaixo o olhar para que você não me desvende. Até que você estende a sua mão e pensa tocar a minha alma; diz que na sua boca só passa o que você pode provar. Mas não se importe em querer saber a verdade, meu bem. A verdade foi só uma coisa que inventaram de procurar para a gente ter que se perder a todo o momento.

sábado, 3 de setembro de 2011

Eu me lembro, em setembro...

Com novas pétalas, esperei setembro para desabrochar e sentir o novo perfume que carrego. - Benzinho, rega-me com cuidado pra que eu não fique seca novamente. Não me deixes queimar com o sol que faz lá fora, mas também me daí luz. Setembro esta irradiando luz, essa exposição não faz mal, não mata. E se for pra morrer de amores mais uma vez, saberei trans-nascer. Eu, que ainda não aprendi a alçar voo, continuo com pequenos adejos. Queira ver a primavera comigo. Porque o inverno, meu amor, partiu com o trem da última estação. Por ora, somente aquilo que não for pesado demais para carregar.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A-gosto

Agosto tinha chegado e eu não via outros sinais. Não vejo nenhum sinal. O mês dos des-gostos começara indefinido. Em agosto, as fantasias não costumam acontecer. Mas ele, que tem a fama de afugentar a esperança, trouxe-me um amor. Daqueles amores que a gente não pode pedir, nem precisa provar coisa alguma. O amor de agosto só precisa ser. Não tenha medo, minha flor, não finda. O amor de agosto está na espera da primavera, o tempo frio que precede o cheiro das flores. Em agosto acontece a transição, -desabrocha, é tempo de tornar-se.

domingo, 10 de julho de 2011

E-ter-na-mente, eternamente.

Secreta, escondida e silenciosa; não quero criar mais uma ventania e afastar de vez esse momento de quase paz que estou vivendo. Pior do que a quase-paz é não haver paz. Então, continuo com meus espectros a te perseguir. sem que você me note, sem que você me veja. Mas veja bem: eu mais que vejo você, eu sinto você. Mesmo quando sentir não basta. Nem todos sabem como é não ter esperanças e ainda assim continua a insistir sem fé alguma. Sem saber o que dói mais, se é a falta ou a presença.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O caminho

Talvez, quisera ficar. Porque ficar era concreto, tangível. E da mesma forma na qual uma parte ficou, a outra foi... Mas tão longa era a caminhada, que os pés se encheram de bolhas. Doía. De certa forma, suportar a dor era uma obrigação. Então, as bolhas cederam lugar para calos, que cresciam e cresciam. E parecia nunca chegar. Em certo momento, era necessário desacelerar. Será que era inalcançável essa vontade de conhecer o desconhecido ? Foi então que eu lembrei: Saber tudo aquilo (sem dor), era pra quem não tinha nada à esconder... E eu tinha!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

"Sobram tantos medos que nem me protejo mais"
(O Teatro Mágico.)

domingo, 3 de julho de 2011

Nas madrugadas de inverno

Sinto o cheiro da chuva e me sinto doída, porque ela me inunda. Tomo meu banho e tento tirar esse ar de nojo que está impregnado em mim e que não sai, água que não sai com nenhuma água. Acordo. Não durmo. Ando perdendo noites e ganhando palavras ao decorrer delas. Não quero dormir, porque adormecer me faz perder a lucidez. Mesmo que no sonho é onde eu me encontre mais lúcida. É no sonho que eu me reconheço inteira. E só nele eu posso me perder. Nesse quarto, com a chuva lá fora, eu nunca me acho. Paro de frente a janela e fico olhando como a chuva cai. Tento me molhar, não consigo. Eu sou a chuva que esta fria mas continua a cair. Eu sou a chuva que não para, não passa e não sabe o que é. Eu não sei ser, e não sabendo, sou. Custa aceitar, sem resignações, o fato de que eu nunca serei inteira fora de mim. Minha metade anda perdida pelo mundo e eu não consigo achá-la, nem sei se quero. Já não resisto às farpas soltas por metade do que sou, imagine a um ser inteiro, concreto. Tomei muito café e não me sinto lúcida, apesar de estar acordada. Eu ainda não despertei da mansidão que é a madrugada. Porque é na madrugada que eu me escondo. É nessa escuridão que me encaixo e pareço querer ficar ali para sempre. A claridade cega os olhos e eu não sou transparente. Muito pelo contrario, sou uma nuvem densa pronta para chover (abram seus guarda-chuvas).Não sou tempestade, mas brisa leve não posso ser.

terça-feira, 28 de junho de 2011

"(...)tudo bem, bem pequenina me coloco na sua sina e você pega, rasga e maltrata, fui eu quem inventei o labirinto. Fatal e tu me desvendaste: decifra-me é: ... toda tão sua!" (Quando ser quer...tem, Felisdônia Passarinho, pedraemflor.blogspot.com)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Aos corações perdidos/partidos

Preciso de um coração. Não, ele não precisa ser novinho, não! Só precisa caber em mim, ser bem quentinho e confortável. Eu não me importo de ele já estar um pouco gasto ou muito gasto, farei dele novo. Mesmo cheio de rasgões, assim, como o meu... Eu irei costurar até o ultimo fio com muita delicadeza, para que fique bem bonito e possa ser meu também. E ele nem precisa me amar logo de inicio, só precisa estar aberto.

terça-feira, 14 de junho de 2011

De volta

E volto ao passado para buscar o que eu era. Não consigo me trazer de volta. Sinto falta de tudo aquilo que eu não consigo mais ser. Então, o que eu sou agora?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

"Cada vez mais lento eu caminhava. Para longe do rio. Para longe da pedra. Para longe do medo.
Para longe de mim." (Inventário do ir-remediável, Caio F.)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Pequenas Letargias

"(...)Concordo contigo, também aconteceu comigo: o meu coração partiu. Para outro lugar." (Gabito Nunes) Dormi pela tarde e tive pesadelos horríveis. Coisas como você e eu, você sem mim, você e outro alguém. Quando pensava ter despertado, lá ia eu de novo, sonhando as mesmas coisas. Rodoviária, gente se encontrando, se perdendo; até quando? E eu, te procurando na imensidão. Como sempre, perdida nos corpos que passavam a minha frente e eu não enxergava. Custou pra achar você naquela multidão. Estava você parado, com outras malas na mão, aguardando um novo ônibus para seguir viagem. Eu fiquei só imaginando se ainda poderia te impedir de ir, mas agora eu estava longe demais. Se eu fosse de encontro a você, iria me esbarrar em muitos vultos daquelas pessoas que estão sem tempo para entender as lamentações e a falta de pressa de gente como eu. Com muita dor, eu via você colocando as bagagens no ônibus. Fui me preparando para a despedida, sozinha. A cada passo que eu dava, ia de encontro com a solidão. Despedir-me de você para encontrar a solidão. Troca justa, afinal - com você, a ilusão de companhia durava pouco. Mas acabei parando de imaginar o porquê de não ser meu aquele assento ao seu lado, fiz o que não podia para que fosse. Sinto-me aliviada mesmo com a culpa de ter deixado essa situação chegar a esse estágio. Têm poucas coisas que me fazem perder a fé. Por incrível que pareça, nunca perdi a fé em você. Mas eu não posso desejar o seu bem, sabendo que isso seria um punhal no meu peito, isso seria masoquismo, não é? Então, não desejo absolutamente nada. Continuo esperando alguma coisa que não sei exatamente o que é. É insensato pensar assim, eu sei. Cansei de ficar no centro de embarque e não seguir viagem.
"(...)Só alguém como você é capaz de causar raiva ou rancor. Muitas pessoas pousam, muitos amores possíves não vingam, muitas paixões não dão certo. Choro, me culpo, me arrependo, permito, desisto, persigo, corro, dou as costas, piso, sinto saudade, me precipito, telefono, me atraso. Sim, no mundo existem mil pessoas capazes de nos despertar amor, se a gente parar pra sentir.
Mas raiva e rancor? (Risos) Raiva e rancor só merece quem se foi sem uma explicação convincente e nunca mais sequer procurou, deixando lacunas que nenhum outro adeus até hoje teve audácia de apagar. Pra você - e não menos que alguém como você - guardei e dedico toda minha raiva e rancor. E o meu amor também."

(Só alguém como você, Gabito Nunes)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A carta extraviada

Ela sentia muito.
Enquanto isso, a estrada seguia. O olhar fixo na linha amarela em direção ao nada. E o aperto foi crescendo daquele peito. Como sempre, só restava chorar. Chorou, igual criança. A cada soluço parecia que ia se verter em lágrimas. E foi dando a ela um desespero, uma vontade de acabar com tudo aquilo. Uma vontade de querer menos a ele. Então, a caneta parecia segurar a sua mão, que só conseguia escrever assim:

"Meu bem,
Essa é a ultima carta que eu te escrevo. Entendo que não posso mais falar em nós, porque mesmo que a mágoa tenha ficado, "nós" não existe(m) mais. E mesmo que tenha restado alguma coisa, eu preciso em que não reste. Porque, entre nós, eu sinto. E sinto muito.
Então, é melhor desistirmos por aqui. Eu até sei que você pode nunca ter tentado, mas faça um esforço para entender ou ao menos aceitar minhas ilusões. Não, eu não estou querendo culpar a você. A essa altura, a ultima coisa que eu buscaria era um culpado, até porque, eu também posso estar nessa lista.
Eu tentei não sentir, tentei não me importar, mas simplesmente não deu. Se é certo ou não, isso eu já não sei. Às vezes, sem você eu fico mais leve. O problema é que com você eu pensei que poderia voar, e caí. Talvez você nunca passe, mas eu preciso acreditar que vai passar. Eu preciso acreditar em alguma coisa além de você e do meu fracasso.
Acabei de pensar que provavelmente você nunca responda e eu vou ficar imaginando se você recebeu mesmo minhas palavras. Eu vou criar um mundo unilateral e mil explicações para não enxergar o óbvio, porque a verdade dói, e eu já cansei de me doer.
A única forma da gente dar certo é deixando o tempo passar. Eu sei dos riscos, a estrada tem muitas curvas e em alguma delas você pode encontrar um amor novinho em folha. Entendo que não podemos prometer mais nada ao outro.
Tudo bem, aceito não ter você e sei que vou continuar esperando, só não me pergunte até quando. Amanhã eu posso acordar e perceber que a espera acabou.
Fim da linha."

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A pergunta era:
 Conseguirei ir adiante mesmo com passos curtos?

A resposta era a pergunta.

terça-feira, 17 de maio de 2011

"Ser, às vezes, sangra."

"Meu estado é o de jardim com água correndo." (Clarice L.) Estou tendo que sucumbir ao prazer para ter o desprazer de não querer mais a tudo isso. O veneno como antídoto. A farpa como cura para a ferida. Jogo-me da sacada do prédio e me corto por inteira, só assim poderei crescer de novo. Preciso da queda para saber que nem sempre estou no chão. Dói, fere.. às vezes, mata. Mas a gente renasce. E se deixa florir por inteiro, com alguns espinhos, mas sem folhas secas. O outono está passando, meu amor. Quero florir mesmo com o inverno batendo na porta. Porque agora, sem cobertor, a única forma de me aquecer é me abraçar. Estou me deixando doer, para que mais tarde eu possa alcançar essa paz tão desejada e tão mistificada. Onde os sons das palavras formam o silencio. O silencio que me habita e que ainda não descobri. Sinto que estou perto.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sobre-viver.

"Viver tem dessas coisas: de vez em quando se fica a zero. E tudo isso é por enquanto. Enquanto se vive."
(A via crucis do corpo, Clarice L.)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A-d-i-a-n-t-e

"Só o amor é luz ,
e há de estar daqui Até alto e amanhã Quem fica com o tempo Eu faço dele meu E não me falta o passo, coração" (Horizonte distante, Los Hermanos.) Porque hoje, eu não to conseguindo pensar em nada além do que me vai acontecer. E continuo com muito medo. Medo de não dar certo, medo de me perder nesse abismo que eu pareço estar caindo.Mas eu não quero cair, meu Deus. Não deixe que eu tenha caído. Não me deixe enveredar por esses caminhos que nunca tem volta, mas que saída também não há. Sinceramente, chega um momento em que se não desistimos pelo cansaço, acabamos desistindo por conta do esquecimento. Eu segui essa estrada me esquecendo do que estava sendo seguido. E agora, no meio dela, não sei onde quero chegar. Só sei que quero, e que além de tudo, preciso chegar a um lugar. Mas qual? Ao me deparar com essa esquina, me dou conta de que o que vem a seguir pode não ser tão interessante assim. Pois é, continuo no dilema. Continuar e me deixar ser cortada ou parar e apodrecer? Mas amar não é cortar os supérfluos. Sendo assim, que caminho é esse cheio de espinhos que tenho seguido e que cada vez que eu tento me aproximar de algum horizonte, acabo ficando mais distante? É, deve existir mesmo um abismo entre nós dois.

terça-feira, 10 de maio de 2011

“Tentou voltar ao primeiro susto, mas percebeu que este jamais se bastaria em si. Impossível, pois, voltar ao impacto primeiro, que era um nada de exigência não-doída porque desconhecia a si mesma. A compreensão que atingindo, doía. Nesse doer, ela começava a ser, imprecisa e vaga.” (Caio F.)
"A gente vai ficando acuado, medroso, paranóico: eu não quero ficar assim, eu não vou ficar assim. Por isso mesmo estou indo embora. Não tenho grandes ilusões" (Caio F.)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

E a estranha sensação de não ter um caminho para seguir. Hoje, abri um espaço enorme para a insegurança. Por favor, alguém cuide de mim.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Átimo

E a cada instante, eu não me acho. Eu não sou. Pra onde eu estou indo? Alguém me indique alguma direção. Porque eu não consigo continuar assim, sem norte.. Eu pensei que fugindo, os problemas iriam embora. Eles também fugiram...Só que desta vez, comigo. E essa sombra que não se afasta, nem fica. Eu sei que ela não se esconde, mas também não se mostra. Tudo fica nas entrelinhas e não quero mais ler esse texto,não quero mais saber como vai ser esse final, que eu já até sei de cor. Eu não sei porque eu continuo nesse suicídio lento. Lento e dolorido. Só eu saio partida, quero dizer, só eu não consigo sair. Minha cabeça dói. Estou tentando canalizar essa dor pra algum lugar, porque quando a gente não sente nada, é ai que se dói por inteira. Eu estou tentando sentir. Mas cansei de tentar. Eu cansei de tudo, mas ainda continuo. E por que, meu Deus? Estou tentando abrir as portas.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sobre as leis

"E pela lei natural dos encontros,
eu deixo e recebo um tanto..."
(Os Novos Baianos)
Talvez nada daquilo fosse mesmo verdade. Porque, de uma forma ou de outra, nada é em si verdade... Ainda mais agora, em que toda aquela autoconfiança foi se esvaindo. E as dúvidas iam sufocando, pouco a pouco. Pouco a pouco, ela fazia dessa confusão mais uma operação matemática. Somava, diminuía, dividia... Mas não dava pra multiplicar, não. Multiplicar era quase impossível, porque ela não aprendera assim. Aprendera de outro jeito, e desse outro jeito ela não largara nunca. Sempre foi mais viável, mais cômodo dividir e somar, que multiplicar. Naquela cabeça, não tinha como multiplicar dois corações. E também não tinha como multiplicar um coração partido. Coração partido é divisão, e era só isso que ela sabia fazer. Acontece que, em algum momento seria necessário aprender a lei da multiplicação. Porque quando se multiplica o amor, se têm amor em dobro. E pensando assim, é bem mais justo. É melhor multiplicar “dois vezes dois”, do que somar 3 + 1. Embora desse o mesmo resultado, alguém sempre tinha que doar mais na cabeça dela. E ela já tinha doado demais (e se doído demais). Muitos pedaços tinham ido embora. E mesmo que infelizmente, ela aprendera que aquela matemática nunca dera certo... Mesmo que por dentro, parecesse um pouco lógica... Abandonar aquele pensamento era abandonar a si mesma. E ela já se abandonara há muito tempo. Tinha demorado um tempo para achar-se de novo, não correria esse risco novamente. Não, de novo, não. E gritava, mesmo quando ninguém ouvia.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

"Coragem, às vezes, é desapego (...) É aceitar doer inteiro até florir de novo. É abençoar o amor, aquele lá, que a gente não alcança mais."
(Ana Jácomo)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Foi nesse descompasso que eu me lembrei de uma coisa: guardei o passado numa caixa, mas esqueci de fechá-la. Se servir de consolo, estou pensando em comprar um novo lacre.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

São nessas horas que eu me sinto mais perdida. É nesse silencio que pareço não me encontrar. Não dou ouvidos a ele, ele não presta a atenção em mim. Ele não presta. Repito todos os dias que as coisas vão mudar. Vão? Também não ouço resposta. Sei até que essas perguntas retóricas, por serem retóricas, não merecem ser respondidas. Ouvi uma vez que amor não é questão de merecimento.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

"Que seja doce..."

"Eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim.”
(Caio F.)
Querido Caio, Queria saber como é que eu faço para sair desses poços que eu tenho caído pelo caminho, porque eu tô tentando, mas não consigo encontrar o "quê". Onde está esse 'quê', pelo-amor-de-Deus? O infinito é muito longe pra mim. Ninguém parece ter me dado da sua água. E se alguém deu, é bem possível que seja por isso que ela jorra para fora do meu peito. Às vezes, já nem durmo mais. Minha vida é mesmo dessas cirandas e muitas das coisas que eu quero dizer, acabam calando-se com a saudade. Caio, por que eu continuo assim tão fraca? Que desfunção é essa dos sentidos? Continuo vulnerável demais. A vela com esperança ainda tá acesa. Eu sei que eu tenho que acabar com o
oxigênio que a sustenta. mas se eu parar de respirar, eu me apago também.

sábado, 26 de março de 2011

Eu não sei ao certo o que está acabando.
Se são essas esperas ou esse suposto amor.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Des(a)tino

A minha intenção era encurtar essas esperas e veja só o que me aconteceu... Estou do lado de fora dos meus planos e não consigo tomar a direção certa. Porque a direção certa parece não existir.

domingo, 6 de março de 2011

Escudo, escuro.

Tinha faltado luz. Só restava fechar os olhos e desejar muito alguma coisa, qualquer coisa que não fosse aquela escuridão. Senão, a escuridão poderia me engolir.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Mais uma prece

Deus, não deixe que eu perca a paciência, nem que me falte coragem. Porque agora, mais do que tudo, eu preciso de coragem e paciência.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

In-decisão

Estou no meio de uma ponte que pode desabar. Não posso voltar. Mas se eu arriscar seguir, não sei o que me espera.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Sob(re) a lucidez

Estou em uma sala de espera e o ônibus nunca chega. Está atrasado, avisa a assistente. O ônibus, para mim, sempre parece estar atrasado. E eu.. vou ficando pela sala de espera. Aqui é bem frio, mas a moça do café quer me deixar lúcida. A lucidez, na sala de espera, é um tormento.
E me pedem para ter paciência

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Des-coberta

Nasci rosa.
Me doo quieta, indefesa; apesar dos muitos espinhos.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

“Cada vez mais acho tudo uma questão de paciência, de amor criando paciência, de paciência criando amor.”

(Clarice Lispector)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"Afinal, há é que ter paciência, dar tempo ao tempo, já devíamos ter aprendido, e de uma vez para sempre, que o destino tem de fazer muitos rodeios para chegar a qualquer parte."

(José Saramago)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Entre o labirinto

Qual o momento certo de parar? Não me escutas, eu sei. Mas basta querer-te demais e teus ouvidos se desabrocham sobre mim. E o teu perfume continua a me encantar. O que fizemos de nossas vidas, meu bem? Você, cravo entre mil rosas; enquanto eu, esquecida no jardim. Há muito tempo deixamos de cuidar do que se transformou em ausência. E eu, que fui regar a minha flor, acabei afogando tudo o que restava. Então, agora não resta quase nada, não é? As águas arrastaram tudo e as nossas promessas foram diluídas pelo tempo. O tempo parece estar sempre contra a gente, meu querido. E essas águas nunca mais serão as mesmas. O seu perfume continua a encantar outras moças, enquanto eu tento achar uma saída nesse labirinto que fiz questão de me enraizar. Sair daqui, antes de tudo, será tirar-me a vida e tudo o que um dia era meu e se foi. A dor da perda, benzinho, só é anestesiada com outros ganhos. Porque cura, cicatriz fechada... Isso é impossível. No amor, tudo é exposição. E eu me doo por inteira.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Para as janelas que irão se abrir

“(...)Sossega, o que vai acontecer, acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará”
(Pálpebras de Neblina, Caio Fernando Abreu)
Então, agora é o momento em que as portas se fecham para que as janelas possam ser abertas. Que tragam ventos bons e muita luz, para iluminar esses ciclos escuros que penaram por aqui. Contudo, por ser época de novos ciclos, aqueles que não foram encerrados tendem a voltar. Afinal, não há como abrir espaços para novos ciclos se os velhos ainda não foram fechados.