"(...)Meias verdades
E muita insensatez."

(Flora Figueiredo)

sábado, 8 de outubro de 2011

"Porque o coração, meu filho,
o coração tem sempre outro pensamento."
(O último voo do flamingo, Mia Couto)
Então, comecei a cuidar de tudo que não foi;
De tudo que continuou aqui,
De tudo que não pôde ser.
Não quis morrer na contra-mão.

domingo, 25 de setembro de 2011

Emergência: Não vide bula.

Você me vê na prateleira, não é nem caso de amor a primeira vista, mas o moço do balcão diz que "é de qualidade", ai então... Tudo certo!
Leva pra casa, pega aquele seu isqueiro comprado no ultimo 'Rock in Rio', em que você ficou tão embriagado que ainda não entende como achou o caminho de volta; me acende.
Vem chegando com essa sua boca, que perto da minha toma todos os espaços, e insinua me tragar. Mas para o meu espanto, não espera, e antes de eu me tornar bituca, miúda; deixa-me de lado, sem ao menos apagar. Pensa que eu não sou assim, do tipo que faz mal a saúde.
Começo a invadir a sua sala de estar, você não entende de onde vem tanta fumaça. Mas eu tinha dito que perigo, quem corria, era você com essa sua ingenuidade disfarçada de mais idade.
Não se deixa fogo aceso no canto, meu bem. Nunca se sabe de onde pode começar um incêndio.

sábado, 17 de setembro de 2011

Des-tinos

"Pelos descaminhos, meu rumo se perdia,
eu tornava a buscar,
recomeçava e novamente errava, e novamente insistia."
(Caio F.)
De tempos em tempos, tentam fazer com que eu perca toda a esperança depositada no amor e em seus derivados. Mas continuo aqui, no centro da tempestade.
E se eu for levada por mais um descaminho, que não me falte coragem para voltar mais uma vez, caso a previsão do tempo tenha falhado.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

"Caia na estrada e perigas ver..."

"As dúvidas e falas tranquilas na palma da minha mão(...)
As dúvidas embalam tranquilas na palma da minha mão"
(Eu de adjetivos, Novos Baianos.)
E a gente vai fugindo. Tendo medo antes mesmo do perigo começar. Ah, mas que ninguém venha dizer que é pura falta de coragem. É também receio de não saber até onde ir, ou de que, mesmo sabendo, não conseguir parar, não querer parar. Meu desespero é calado, contido. Abaixo o olhar para que você não me desvende. Até que você estende a sua mão e pensa tocar a minha alma; diz que na sua boca só passa o que você pode provar. Mas não se importe em querer saber a verdade, meu bem. A verdade foi só uma coisa que inventaram de procurar para a gente ter que se perder a todo o momento.

sábado, 3 de setembro de 2011

Eu me lembro, em setembro...

Com novas pétalas, esperei setembro para desabrochar e sentir o novo perfume que carrego. - Benzinho, rega-me com cuidado pra que eu não fique seca novamente. Não me deixes queimar com o sol que faz lá fora, mas também me daí luz. Setembro esta irradiando luz, essa exposição não faz mal, não mata. E se for pra morrer de amores mais uma vez, saberei trans-nascer. Eu, que ainda não aprendi a alçar voo, continuo com pequenos adejos. Queira ver a primavera comigo. Porque o inverno, meu amor, partiu com o trem da última estação. Por ora, somente aquilo que não for pesado demais para carregar.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A-gosto

Agosto tinha chegado e eu não via outros sinais. Não vejo nenhum sinal. O mês dos des-gostos começara indefinido. Em agosto, as fantasias não costumam acontecer. Mas ele, que tem a fama de afugentar a esperança, trouxe-me um amor. Daqueles amores que a gente não pode pedir, nem precisa provar coisa alguma. O amor de agosto só precisa ser. Não tenha medo, minha flor, não finda. O amor de agosto está na espera da primavera, o tempo frio que precede o cheiro das flores. Em agosto acontece a transição, -desabrocha, é tempo de tornar-se.

domingo, 10 de julho de 2011

E-ter-na-mente, eternamente.

Secreta, escondida e silenciosa; não quero criar mais uma ventania e afastar de vez esse momento de quase paz que estou vivendo. Pior do que a quase-paz é não haver paz. Então, continuo com meus espectros a te perseguir. sem que você me note, sem que você me veja. Mas veja bem: eu mais que vejo você, eu sinto você. Mesmo quando sentir não basta. Nem todos sabem como é não ter esperanças e ainda assim continua a insistir sem fé alguma. Sem saber o que dói mais, se é a falta ou a presença.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O caminho

Talvez, quisera ficar. Porque ficar era concreto, tangível. E da mesma forma na qual uma parte ficou, a outra foi... Mas tão longa era a caminhada, que os pés se encheram de bolhas. Doía. De certa forma, suportar a dor era uma obrigação. Então, as bolhas cederam lugar para calos, que cresciam e cresciam. E parecia nunca chegar. Em certo momento, era necessário desacelerar. Será que era inalcançável essa vontade de conhecer o desconhecido ? Foi então que eu lembrei: Saber tudo aquilo (sem dor), era pra quem não tinha nada à esconder... E eu tinha!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

"Sobram tantos medos que nem me protejo mais"
(O Teatro Mágico.)

domingo, 3 de julho de 2011

Nas madrugadas de inverno

Sinto o cheiro da chuva e me sinto doída, porque ela me inunda. Tomo meu banho e tento tirar esse ar de nojo que está impregnado em mim e que não sai, água que não sai com nenhuma água. Acordo. Não durmo. Ando perdendo noites e ganhando palavras ao decorrer delas. Não quero dormir, porque adormecer me faz perder a lucidez. Mesmo que no sonho é onde eu me encontre mais lúcida. É no sonho que eu me reconheço inteira. E só nele eu posso me perder. Nesse quarto, com a chuva lá fora, eu nunca me acho. Paro de frente a janela e fico olhando como a chuva cai. Tento me molhar, não consigo. Eu sou a chuva que esta fria mas continua a cair. Eu sou a chuva que não para, não passa e não sabe o que é. Eu não sei ser, e não sabendo, sou. Custa aceitar, sem resignações, o fato de que eu nunca serei inteira fora de mim. Minha metade anda perdida pelo mundo e eu não consigo achá-la, nem sei se quero. Já não resisto às farpas soltas por metade do que sou, imagine a um ser inteiro, concreto. Tomei muito café e não me sinto lúcida, apesar de estar acordada. Eu ainda não despertei da mansidão que é a madrugada. Porque é na madrugada que eu me escondo. É nessa escuridão que me encaixo e pareço querer ficar ali para sempre. A claridade cega os olhos e eu não sou transparente. Muito pelo contrario, sou uma nuvem densa pronta para chover (abram seus guarda-chuvas).Não sou tempestade, mas brisa leve não posso ser.