"(...)Meias verdades
E muita insensatez."

(Flora Figueiredo)

terça-feira, 28 de junho de 2011

"(...)tudo bem, bem pequenina me coloco na sua sina e você pega, rasga e maltrata, fui eu quem inventei o labirinto. Fatal e tu me desvendaste: decifra-me é: ... toda tão sua!" (Quando ser quer...tem, Felisdônia Passarinho, pedraemflor.blogspot.com)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Aos corações perdidos/partidos

Preciso de um coração. Não, ele não precisa ser novinho, não! Só precisa caber em mim, ser bem quentinho e confortável. Eu não me importo de ele já estar um pouco gasto ou muito gasto, farei dele novo. Mesmo cheio de rasgões, assim, como o meu... Eu irei costurar até o ultimo fio com muita delicadeza, para que fique bem bonito e possa ser meu também. E ele nem precisa me amar logo de inicio, só precisa estar aberto.

terça-feira, 14 de junho de 2011

De volta

E volto ao passado para buscar o que eu era. Não consigo me trazer de volta. Sinto falta de tudo aquilo que eu não consigo mais ser. Então, o que eu sou agora?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

"Cada vez mais lento eu caminhava. Para longe do rio. Para longe da pedra. Para longe do medo.
Para longe de mim." (Inventário do ir-remediável, Caio F.)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Pequenas Letargias

"(...)Concordo contigo, também aconteceu comigo: o meu coração partiu. Para outro lugar." (Gabito Nunes) Dormi pela tarde e tive pesadelos horríveis. Coisas como você e eu, você sem mim, você e outro alguém. Quando pensava ter despertado, lá ia eu de novo, sonhando as mesmas coisas. Rodoviária, gente se encontrando, se perdendo; até quando? E eu, te procurando na imensidão. Como sempre, perdida nos corpos que passavam a minha frente e eu não enxergava. Custou pra achar você naquela multidão. Estava você parado, com outras malas na mão, aguardando um novo ônibus para seguir viagem. Eu fiquei só imaginando se ainda poderia te impedir de ir, mas agora eu estava longe demais. Se eu fosse de encontro a você, iria me esbarrar em muitos vultos daquelas pessoas que estão sem tempo para entender as lamentações e a falta de pressa de gente como eu. Com muita dor, eu via você colocando as bagagens no ônibus. Fui me preparando para a despedida, sozinha. A cada passo que eu dava, ia de encontro com a solidão. Despedir-me de você para encontrar a solidão. Troca justa, afinal - com você, a ilusão de companhia durava pouco. Mas acabei parando de imaginar o porquê de não ser meu aquele assento ao seu lado, fiz o que não podia para que fosse. Sinto-me aliviada mesmo com a culpa de ter deixado essa situação chegar a esse estágio. Têm poucas coisas que me fazem perder a fé. Por incrível que pareça, nunca perdi a fé em você. Mas eu não posso desejar o seu bem, sabendo que isso seria um punhal no meu peito, isso seria masoquismo, não é? Então, não desejo absolutamente nada. Continuo esperando alguma coisa que não sei exatamente o que é. É insensato pensar assim, eu sei. Cansei de ficar no centro de embarque e não seguir viagem.
"(...)Só alguém como você é capaz de causar raiva ou rancor. Muitas pessoas pousam, muitos amores possíves não vingam, muitas paixões não dão certo. Choro, me culpo, me arrependo, permito, desisto, persigo, corro, dou as costas, piso, sinto saudade, me precipito, telefono, me atraso. Sim, no mundo existem mil pessoas capazes de nos despertar amor, se a gente parar pra sentir.
Mas raiva e rancor? (Risos) Raiva e rancor só merece quem se foi sem uma explicação convincente e nunca mais sequer procurou, deixando lacunas que nenhum outro adeus até hoje teve audácia de apagar. Pra você - e não menos que alguém como você - guardei e dedico toda minha raiva e rancor. E o meu amor também."

(Só alguém como você, Gabito Nunes)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A carta extraviada

Ela sentia muito.
Enquanto isso, a estrada seguia. O olhar fixo na linha amarela em direção ao nada. E o aperto foi crescendo daquele peito. Como sempre, só restava chorar. Chorou, igual criança. A cada soluço parecia que ia se verter em lágrimas. E foi dando a ela um desespero, uma vontade de acabar com tudo aquilo. Uma vontade de querer menos a ele. Então, a caneta parecia segurar a sua mão, que só conseguia escrever assim:

"Meu bem,
Essa é a ultima carta que eu te escrevo. Entendo que não posso mais falar em nós, porque mesmo que a mágoa tenha ficado, "nós" não existe(m) mais. E mesmo que tenha restado alguma coisa, eu preciso em que não reste. Porque, entre nós, eu sinto. E sinto muito.
Então, é melhor desistirmos por aqui. Eu até sei que você pode nunca ter tentado, mas faça um esforço para entender ou ao menos aceitar minhas ilusões. Não, eu não estou querendo culpar a você. A essa altura, a ultima coisa que eu buscaria era um culpado, até porque, eu também posso estar nessa lista.
Eu tentei não sentir, tentei não me importar, mas simplesmente não deu. Se é certo ou não, isso eu já não sei. Às vezes, sem você eu fico mais leve. O problema é que com você eu pensei que poderia voar, e caí. Talvez você nunca passe, mas eu preciso acreditar que vai passar. Eu preciso acreditar em alguma coisa além de você e do meu fracasso.
Acabei de pensar que provavelmente você nunca responda e eu vou ficar imaginando se você recebeu mesmo minhas palavras. Eu vou criar um mundo unilateral e mil explicações para não enxergar o óbvio, porque a verdade dói, e eu já cansei de me doer.
A única forma da gente dar certo é deixando o tempo passar. Eu sei dos riscos, a estrada tem muitas curvas e em alguma delas você pode encontrar um amor novinho em folha. Entendo que não podemos prometer mais nada ao outro.
Tudo bem, aceito não ter você e sei que vou continuar esperando, só não me pergunte até quando. Amanhã eu posso acordar e perceber que a espera acabou.
Fim da linha."

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A pergunta era:
 Conseguirei ir adiante mesmo com passos curtos?

A resposta era a pergunta.

terça-feira, 17 de maio de 2011

"Ser, às vezes, sangra."

"Meu estado é o de jardim com água correndo." (Clarice L.) Estou tendo que sucumbir ao prazer para ter o desprazer de não querer mais a tudo isso. O veneno como antídoto. A farpa como cura para a ferida. Jogo-me da sacada do prédio e me corto por inteira, só assim poderei crescer de novo. Preciso da queda para saber que nem sempre estou no chão. Dói, fere.. às vezes, mata. Mas a gente renasce. E se deixa florir por inteiro, com alguns espinhos, mas sem folhas secas. O outono está passando, meu amor. Quero florir mesmo com o inverno batendo na porta. Porque agora, sem cobertor, a única forma de me aquecer é me abraçar. Estou me deixando doer, para que mais tarde eu possa alcançar essa paz tão desejada e tão mistificada. Onde os sons das palavras formam o silencio. O silencio que me habita e que ainda não descobri. Sinto que estou perto.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sobre-viver.

"Viver tem dessas coisas: de vez em quando se fica a zero. E tudo isso é por enquanto. Enquanto se vive."
(A via crucis do corpo, Clarice L.)