A gente dorme de olhos fechados
que é para poder sonhar por dentro, amor.
(Rita Apoena)
É que não sei escrever outra coisa além de mim. De uma certa forma, o que acontece aqui dentro merece ser analisado por outros olhos (?)
E outra, como posso escrever sobre as cores se até agora o que enxergo é preto-e-branco? Tudo bem, não desmerecendo o branco e o preto, eles também são cores. Mas são cores do mistério, lembra solidão, não é ? O que eu queria mesmo agora era lembrar alegria, nostalgia doce correndo pelas veias e artérias desse meu corpo ainda não desvendado, (des)coberto.
Reconhecer exige cautela, paciência.
E a gente pega o pincel e separa a poeira do que vale a pena... Usa, joga, rasga... e usa de novo.
É que não posso escrever nada além daquilo que me mantém acesa, lúcida.
Desvairada não. Louca, escrevo o que posso e o que não posso!
Há um muro de contenções entre minhas mãos e as linhas escritas...
"A nuvem parece fumaça
Tem gente que acha que ela é algodão
Algodão às vezes é doce
Mas às vezes não é doce não!"
(Sonho - O Teatro Mágico)
Quando eu era criança, alguém me disse que o céu era feito de pedaços de algodão! Desse dia em diante passei a acreditar que cada um poderia fazer o seu céu, plantar sua muda de algodão e regar, aquilo seria seu pedaço de nuvem. Não é que de nuvem em nuvem a gente faz nosso céu?
Você pode construir uma nuvem escura e amarga ou optar por um algodão doce! Mas é bom lembrar que uma hora ele desmancha na boca... pode derreter! (ou não).