"(...)Meias verdades
E muita insensatez."

(Flora Figueiredo)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

" Não imagine que te quero mal. Apenas não te quero mais..."

    Não fique achando que mágoa é maldade. Não é. Mas também não queira que eu não sinta nada. Logo eu, que mesmo despedaçada, meus pedaços são de sentimentos. Mas é mesmo aquela história quando Lulu Santos disse "não imagine que te quero mal. Apenas não te quero mais..."
    Eu sempre tentei encobrir todas as suas desculpas com mais desculpas.Eu quero muito a sua felicidade, mas por favor, não peça para eu não me sentir machucada. Que eu já tentei muito não me importar. Acho que em todas as vezes que matinha-mos contato eu acaba alimentando os meus pequenos monstros internos sem ao menos saber da existência deles (o que eu quero dizer com isso é que todas as vezes que você voltava a me procurar, eu achava que a gente realmente tinha alguma coisa, além desse vazio que ficava quando você sumia). Mas eu não podia querer nada por você. E tudo com a gente ficava nas entrelinhas, e você nunca parecia entender que só o que eu queria era não me doer mais com tudo isso. A culpa também é minha por ter criado você do jeito que você nunca foi, que nunca quis ser, não comigo. 
    Mais uma vez, eu quero muito que você seja feliz, mas eu quero ser feliz também. E não dá pra ser feliz desse jeito, meu bem. Não dá pra ser feliz com todas essas duvidas e todos esses sentimentos que me perseguem porque eu nunca sabia o que você queria de mim. Eu tinha medo de você não me entender, o mesmo medo que eu tenho que você não me entenda agora. 
    É sempre a mesma coisa, mas é que, sei lá, as coisas pareciam menos complicadas quando eu estava com você. Ainda não terminei de gostar de você, mas não quero que você fique pensando nisso. Acho que há muito tempo as coisas já estavam esclarecidas entre a gente, eu era que tentava criar razões para a sua ausência.
    Você culpa a sua impulsividade, mas eu culpo o seu ego. Eu culpo todas as palavras que você me disse, que tudo ia se resolver, que tudo ia dar certo. Agora entendi que as coisas deram certo mesmo pra você. O tempo todo era só você que importava. Então, não queira dizer que você se sente mal com tudo isso ou que eu estou sendo extremista e que eu não te conheço. Quem não conhece alguém aqui é você. Eu não podia mais ficar cedendo as suas vontades e as suas ausências. 
    Se, algum dia, você voltar, volte com alguma atitude. Mas se for pra continuar com as suas duvidas, por favor, não me procure mais. Não me ligue, não queira ser meu amigo, não sorria ao me ver. Não me encare nos lugares. Faça o que você sempre fez muito bem, não se importe comigo. Porque eu, vou começar a não me importar com você. Só me procure se for pra ser tão sincero quanto eu fui agora.
Um beijo. 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

"Era uma casa não muito engraçada..."



Abro a porta e não há mais espaços para mim. Alguma outra coisa ou pessoa ocupou o meu lugar. Mas o meu desgosto é só não enxergar nada além de uma casa vazia. Uma casa vazia que, mesmo vazia, não me cabe. Na sua casa, nunca teve espaço para tudo o que eu queria te oferecer. No máximo, um pouco de afeto, mas só. Só, eu fui procurar abrigo em outras vizinhanças.
A cada porta que fica entreaberta, eu espero que seja a sua. Todas as vezes em que eu olho para a sua casa, não consigo decifrar o que você quer me dizer, se é que ainda existe alguma coisa para ser dita. Alguma palavra que reorganize os nossos cômodos, que me faça querer tirar a poeira dos meus móveis.
Eu desejo que a sua casa esteja sempre limpa, mas por favor, não queria vir e bagunçar a minha. Não a suje com as suas duvidas inúteis que só vão me fazer acreditar que, um dia, você vai voltar para a nossa casa. Agora, sem nós, essa casa já não existe. Deixa-me retirar a poeira que ainda resta e os restos dos cacos espalhados pelo chão, eu não quero mais me cortar com o seu vazio.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

"O inferno por dentro."

[...]Contou os anos? Quanto tempo esperei por você? Você crescer, você mudar, você mostrar algum remorso. Você tem de querer. Embora eu queira muito, mesmo eu querendo em dobro, não há como querer por você. Só quem enfrenta longas esperas sabe como é o inferno por dentro. Eu sempre falei, um dia alguém tinha de te dizer não. Eu queria que não fosse eu, porque aí eu poderia ficar numa boa e assistir você sofrer, nem que seja calado num canto, mas sofrendo, mostrando algum arrependimento ou qualquer traço humano. Quem sabe eu até enfiaria os dedos ainda com aneis no meio dos seus cabelos e diria que tudo ficaria bem. Agora é tarde, meu anel já se foi, nem os dedos ficaram.
Só que você sempre dá um jeito de se safar. Ficar seria tolerar suas mancadas. Você precisa perder pra entender onde errou, que isso que você faz é um erro, um dos feios. Que evitar e não tocar mais no assunto não é perdão ou esquecimento. É sufocar. E eu estava sufocando, morrendo na praia em frente ao mar de rosas que você anunciou, cheia de pétalas grudadas no céu da boca, entupindo os bofes, sem ar, uma vontade constante de regurgitar de volta suas garantias de araque. Partes de mim querem ir embora, partes de mim querem ficar. Ainda não terminei de gostar de você. Mas consegui. Agora fui. Porque comecei isso querendo ser sua companheira, passei a cúmplice das suas maldades, e ficar dessa vez vai me fazer sua comparsa. Não é um ‘até amanhã’ nem ‘até breve’ e nem ‘até mais’. É um ‘até você mudar’ ou ‘até você não ser mais quem você é’. Até nunca, então.

(Gabito Nunes)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

"Primavera soprando um caminho mais feliz..."

"Mordo o último biscoito e respiro estimulada. Aí está onde eu queria chegar: milhares de coisas estão subentendidas. Nas entrelinhas. O lado omisso. Quero a verdade, M.N., meu amado, escuta, entenda isso, quero a verdade. E você sugere reticências. Omissões.
 (Lygia Fagundes Telles)



É por estar perdida que eu perco também o medo do que vem a seguir. Estou mais uma vez desarmada, não espero encontrar guerra pior do que a minha aqui dentro. E as mudanças e os bons ventos, acontecem o tempo inteiro. Meus pés estão no ar, a minha mente está leve de novo. E de novo espero a brisa leve da primavera. Quero amanhecer sentindo o cheiro das flores que vão desabrochar para mim, para qualquer pessoa que esteja leve pra a nova estação. A frieza do inverno não mais me amedronta, mas sei dos espinhos que as rosas podem ter. Espero, com todo o coração, não precisar me ferir para desabrochar. A mudança das estações traz mudanças internas. Por favor, estou olhando para dentro também. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

"A gente só não pode deixar de acreditar..."



Não quero mais sair por ai, pisando em um chão desconhecido, me cortando pelo caminho.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

"Toda dor passa, toda dor se esquece, toda dor termina." (Hoje é dia de Maria)


  (Foto: Doug Strickland)



O que eu carrego no peito, meu amor, é bem maior e mais pesado que tudo isso. Mas eu tenho pedido todos os dias que as coisas fiquem leves, para que eu aguente carregar. Não quero mais perder nada pelo caminho.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Continuo com medo. Continuo esperando o medo passar.

O sempre não existia até o amor existir.
O amor muda a gente. A falta de amor também.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O passado não reconhece o seu lugar. 
Está sempre presente. 
(M. Quintana)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

"Porque Deus anda remendando com tecidos bonitos, o que a vida me descosturou." (Patricia Rocha)



Coisas novas e bonitas acontecem o tempo inteiro, eu só espero que aconteçam, então, pra mim. Mas que a minha delicadeza não fira ninguém, que o meu medo não espante um outro coração e que as coisas continuem a dar certo. As preces de agosto são carregadas de esperança, eu sempre soube. 
Que um novo amor me cure, que um novo amor me cuide.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Às pequenas preces diárias



(Imagem: Anastasia Stolbova.)


 Acho que se a gente não acreditar em pequenos milagres diários, ninguém mais pode acreditar em nada. Pois que a vida não é mais do que preces, ora concedidas por alguma coisa que eu não sei o que é. Eu só sei que a mágica acontece e está em todo o lugar. A questão é termos olhos suficientemente capazes de enxergar tudo isso e deixar para trás toda essa história de realidade. Porque a realidade só nos faz afastar do que realmente importa e da única coisa que sobrevive depois de uma grande desilusão, a fé em alguma coisa dentro de nós. Silenciosa, ela continua lá.